Na noite em que o Inter de Mourinho foi completamente ofuscado pelo Barcelona de Pepe Guardiola, brilhou um jovem da cantera blaugrana: Pedro Rodriguez. Mas que grande jogo fez o míudo: sempre seguro, de bola colada no pé, bom drible, bons passes e oportuno na hora de atirar à baliza. Fez esquecer Messi. Um jogador a seguir com atenção.
Uma nota apenas para os habituais patrões do meio campo do Barça (Xavi e Iniesta) que fizeram mais um jogaço e outro destaque para Dani Alves que, não obstante ser pequeno, foi um gigante no Nou Camp.
Uma última referência para a tendência que se vem demonstrando: o Inter de Mourinho é feito para consumo interno. Tem uma equipa óptima que lhe permite, sem grandes sobressaltos, dominar a Serie A, mas, como se tem visto, não tem estaleca europeia. Não duvido que se vá qualificar para a próxima fase, mas a jogar assim não irá longe na competição. Moratti está atento e quer-me parecer que o Presidente quer mais que o Scudetto...
O João (co-autor do blogue) pegou no tema da defesa à zona nas bolas paradas, pelo que o seu post deve ser lido a par deste, que acaba por ser um comentário e resposta à pergunta que ele deixou. Cá vai a minha opinião... Eu fui céptico e torci o nariz quando vi o Porto defender à zona nas bolas paradas. Inicialmente notei falta de agressividade nestes momentos. Comungo da opinião do João quando diz que esta forma de defender pressupõe agressividade no ataque à bola. Cada jogador tem a sua zona, espaço que deve atacar, é como que uma espécie de raio de acção próprio. Os defensores colocam-se de frente para o seu espaço e dando o lado do seu corpo ao marcador da bola parada. A defesa ao homem é diferente. É missão dos defensores, neste tipo de defesa, vigiarem o seu homem, não podendo nunca perder-lhe o rasto. Também pede agressividade, mas penso ser uma agressividade diferente, o que é facilmente perceptível. Este tipo de marcação pode ter uma grande desvantagem:
Vamos levar o exemplo ao extremo para que me faça entender. Imaginem uma equipa de 11 homens de 1,90m a atacar e a defender uma equipa com 4 defesas altos e os restantes jogadores baixos. Se a marcação for feita ao homem temos um grave problema. A equipa defensora tem apenas 4 jogadores altos, cada um a marcar o seu par da equipa adversária. Nestas coisas já se sabe que o marcador anda feito polícia atrás do seu homem e quase que vai para onde ele for. E os restantes monstros? Como são marcados? Neste caso seria sensato optar pela defesa à zona ou zona-homem. Os jogadores mais altos da equipa que defende ocupam-se das zonas mais importantes e os mais baixos das menos importantes, o que me parece lógico. Depois , para mim, deve colocar-se um jogador ao primeiro poste (nos cantos), um no meio-campo e outro na cabeça da área.
Em Portugal as desvantagens da marcação ao homem atenuam-se muito por força dos constantes puxões dos defesas. Claro que se se puder agarrar o homem que se está a marcar, ele não vai a lado nenhum e nem sequer estará em condições de jogar a bola. Uma coisa é certa nisto tudo: só a agressividade no ataque à bola e aos espaços colhe frutos. Optar por uma ou outra forma, só por si, não vale nada se não se souber como defender e não for treinada. O sistema a adoptar, na minha opinião, deve ter em conta as características dos defensores, mas acho que o ideal é defender à zona ou zona-homem, dependendo nas nuances do adversário e do jogo. Uma coisa que não gosto de ver no Porto é ver toda a gente dentro da área nas bola paradas defensivas. E que tal deixar um homem no meio-campo?
Acho que o Jorge Jesus não se diz inventor do tipo de defesa à zona nas bolas paradas, mas diz que foi o primeiro a falar no 5º momento de jogo, o momento das bolas paradas.
Não sou um grande entendido da matéria, nem pretendo dar uma de Luís Freitas Lobo, mas sempre fui um céptico da defesa à zona nas bolas paradas. Jorge Jesus - sim, o mesmo que se arroga de ser o inventor deste tipo de defesa - implantou este ano essa forma de jogar no SLB e, até ontem, com resultados satisfatórios. Porém, ontem lá se quebrou a defesa à zona e o Benfica foi eliminado com um golo que surgiu de uma bola parada cruzada para a área na sequência de uma bola parada. O Porto de Jesualdo já defende assim de há uns tempos para cá. Se bem me recordo, numa primeira fase, fazia uma defesa à zona pura, tendo evoluído para um misto de zona-homem que considero ser a forma mais eficaz de defender bolas paradas.
De todo o modo, e independentemente da forma escolhida - zona, homem, misto zona-homem -, uma coisa me parece certa: a agressividade do defesa no ataque à bola é fundamental para defesa nas bolas paradas.
Se olharem com atenção o golo do Guimarães ontem, verificam que Javi Garcia, que estava na zona de acção do cruzamento, não atacou a bola de forma alguma, tendo causado directamente o golo sofrido que se veio a revelar decisivo na eliminatória.
Nesse caso foi ausência de ataque à bola. Mas, há casos em que, ainda que o defesa ataque a bola, a falta de agressividade na intervenção traz normalmente problemas defensivos que redundam em remates perigosos para a baliza.
Ora, não há forma alguma de disposição da defesa na área que cubra todas as zonas de possível colocação de bola em cruzamento, razão pela qual uma defesa estática é mais facilmente batida por avançados agressivos que se movimentam para cabecear a bola.
Assim, é forçoso concluir que a piéce de resistance da defesa nas bolas paradas defensivas será mais a agressividade no ataque à bola dos defesas (dinâmica) do que qualquer disposição defensiva, qualquer que seja o sistema (estática).
A melhor maneira de lidar com as coisas menos positivas é relativizá-las, não as levar a sério ou simplesmente brincar com elas. Já sei que pimenta no cu dos outros é refresco e que se fosse comigo não achava piadinha nenhuma a esta merda. Mas como não sou irlandês e até gosto destas mariquices cá vai um bocado de boa disposição. O objectivo do jogo é simples e prima pelo realismo: qualificar a França para o campeonato do Mundo.
Acho que só hoje é que consegui digerir as palavras, ou a falta delas, do Platini sobre a mão do seu compatriota. E se esse gajo saísse já já do Futebol? Era uma favor que nos fazia.
O Vitória de Guimarães acabou de ganhar ao Benfica no Estádio da Luz. Não sou dos que acredita que este Benfica seja imparável, como vão cantando os sócios e simpatizantes, mas que anda a marcar muitos golos lá isso anda. O que o Vitória conseguiu fazer foi não sofrer golos, o que é obra , tendo em conta o que se viu até agora. Esse mérito tem de ir para o seu treinador, o Paulo Sérgio, que me parece ser um dos técnicos de maior valor do Futebol português. Vi alguns dos jogos dos minhotos desta época e noto uma diferença claríssima entre o momento "Nelo Vingada" e a novidade "Paulo Sérgio". Parece-me evidente que o Guimarães está a melhorar com o avançar do campeonato, até porque tem valor para isso, e essa evolução deve-se ao treinador.
Queria começar o post por dar os meus sinceros parabéns ao professor Carlos Queiroz por ter posto Portugal no Mundial. Eu fui daqueles que sempre acreditei - embora com algumas reservas - e, por isso, fui juntar a minha voz à de outros 59.999 que estiveram no Estádio da Luz a apoiar Portugal.
Carlos Queiroz foi, em determinados momentos, um treinador com a cabeça a prémio, talvez por ter a equipa mais forte do grupo de apuramento e nem por isso conseguir capitalizar essa superioridade em pontos. Quando jogava bem perdia ou empatava, quando jogava mal, lá ganhava à "rasquinha". Uma coisa era certa: Queiroz nunca reunia consenso nos resultados ou exibições.
Ainda assim, e num jeito bem português, de calculadora na mão, o Moçambicano lá foi passando todos os obstáculos até conseguir o apuramento para o Playoff com a Bósnia. Bem ou mal, lá conseguiu!
Restavam 180 minutos que ditavam o céu ou o inferno para este Homem: ou qualificava Portugal e tudo estava bem ou, pelo contrário, falhava o apuramento, pela segunda vez, numa altura em que os tugas já não estão habituados a essas andanças de ver o Mundial pela TV. Manteve-se fiel aos seus princípios e aos seus jogadores e, com mérito, conseguiu o apuramento. Mais uma vez, os meus parabéns.
Ainda assim, o sucesso dos resultados não escondem algumas opções que, no meu entender, foram mal tomadas na construção da equipa. Não é preciso ir muito longe: no jogo da Luz contra a Bósnia, não compreendo a escolha dos laterais. Num jogo em que se previa de domínio Português, não percebi a inclusão de Paulo Ferreira no onze, um lateral que está sem ritmo de jogo e de vocação mais defensiva, em detrimento de Miguel, que até tem jogado no Valência. Assim como na segunda mão, em que se previa uma avalanche ofensiva da Bósnia, Queiroz optasse por pôr Duda na lateral esquerda, por vez de colocar lá o Miguel Veloso, que, para além de ter mais "físico", é melhor defensivamente. Honra lhe seja feita, os laterais jogaram bem nos dois jogos - especialmente no segundo - e não há nada a apontar, mas e se tivesse corrido para o torto? E por que tirou sempre o Nani quando o Simão esteve pior nos dois jogos?
Porém, o seleccionador esteve bem na globalidade e tomou algumas opções que me pareceram muito felizes nestes dois jogos. Por exemplo, a colocação do Pepe a trinco, que cumpria o papel de uma espécie de terceiro central em momentos defensivos. Foi absolutamente determinante esta opção que também permitiu que o Bruno Alves entrasse para o onze para fazer duas magníficas exibições. Depois a troca do Tiago pelo Deco na Bósnia pareceu-me igualmente muito feliz, tendo dado mais controlo ao meio campo.
Se com Scolari ficávamos contentes com os resultados - sim, algumas exibições foram realmente confrangedoras, e ainda assim festejávamos as vitórias - com Queiroz temos que lhe dar o mesmo status uma vez que os resultados começam a aparecer!
Cheira bem, cheira a África do Sul!
Nota: Não sei se se escreve Queirós ou Queiroz uma vez que tenho visto o nome escrito das duas formas na imprensa, por vezes no mesmo jornal as duas formas. Agradeço que quem saiba me explique.
Continuo chocado com a forma como se vedou a possibilidade da Irlanda jogar o Mundial a disputar na África do Sul.
Perder nunca é fácil. Perder nos últimos momentos do jogo, ainda custa mais. Agora perder nos últimos minutos de forma injusta e ilegal é terrível e de uma crueldade incomensurável - agora os irlandeses devem saber o que é 1/5 da dor que os Ingleses sofreram com a mão do Maradona.
Todos sabemos que a França é uma selecção com muito peso nas estruturas organizativas do futebol mundial, e mais sabemos que era do interesse superior dessas estruturas que o Mundial contasse com a presença da França. Naturalmente, estas duas premissas desaguaram precisamente naquilo que todos vimos e nos chocou: uma França no Mundial a qualquer custo, ainda que fosse necessário uma "mãozinha" da equipa de arbitragem...
Não sou daqueles que diz que a França é sempre beneficiada, e que lembra o Portugal- França das meias-finais do Euro 2000 – sim, naquele jogo em que foi claramente mão do Abel Xavier. Todavia, vejo futebol há muitos anos, anos de mais para perceber que, na dúvida, selecções como a França, Inglaterra, Alemanha, etc. são beneficiadas. E, mesmo no jogo que referi, lembro-me bem de o árbitro demorar uns bons minutos a decidir se era penalty ou não, e, sem surpresa, acabou por decidir a favor da França - ainda que de forma acertada, diga-se.
Umas palavras para Domenech, Platini e "titi Henry".
Começando pelo Platini, e após este querer ser visto como um bastião contra a batota no futebol, a sua postura abstencionista não lhe ficou bem. Penso que a imagem que pretendia transmitir fica, deste modo, comprometida, ficando, ao invés, demonstrado que se trata de um indivíduo parcial e que, como tal, não poderá defender o futebol na sua globalidade.
Não consigo falar de Domenech sem ter de recorrer à linguagem corriqueira e populista, pois para mim não passa de um "parvalhãozinho". Uso o diminutivo não para demonstrar carinho, mas sim para revelar a pequenez que assola este homem. Já se viu, noutras alturas, que sabe pressionar os árbitros e chamar à atenção para simulações dos jogadores portugueses, mas, agora, só soube afirmar que aquela mão foi um "incidente do jogo". Oxalá não haja destes incidentes no Mundial, senão um treinador banal como esse senhor é arrisca-se a ganhar uma prova desta importância "sem saber ler nem escrever".
Por último, quanto ao Henry, veio agora penitenciar-se ao afirmar que queria o jogo repetido. Ora, antes de mais, o que este senhor quer ou deixa de querer não interessa a ninguém, nem faz jurisprudência. Há uma lei do jogo a ser respeitada e, se não se preenchem os critérios para a repetição do jogo, é simples: não se repete. Tem que haver segurança e certeza nos jogos de futebol e não podemos estar a repeti-los sempre que haja um erro. Por isso, sou da opinião que este jogo não deve ser repetido. De todo o modo, o Henry, se é tão honesto como quer fazer passar, poderia ter evitado todo este imbróglio, actuando de forma similar ao jogador romeno do vídeo que podem visionar infra, isto é, admitindo, no momento, que havia mão! Assim, já seria um verdadeiro exemplo do fair-play, e já merecia a importantíssima medalha de ouro que lhe é hoje atribuída pelo jornal Record.
(um pequeno parêntesis só para dizer que se fosse um jogador da minha equipa a fazer isso, trucidava-o!)
Estou a acompanhar o Liverpool-Manchester City e acabo de ver o Tevez saltar do banco (aos 62 min). Agora percebo melhor a época falhada dos citizens que tanto gastaram em reforços e ordenados. Do outro lado está o Liverpool, a maior mentira do Futebol inglês da actualidade, que promete tanto e faz o costume: ficar atrás do United e do Chelsea. Olha, golo do Adebayor... já cheira a outro empate em Liverpool.
Ontem quando vi em directo o golo do Gallas que arrumou com os irlandeses lembrei-me logo de um senhor, também ele francês, que se diz contra a batota no Futebol. Segundo a sua escola, os batoteiros não podem participar.
Há qualquer coisa nos bósnios que não me agrada. Hoje quero ganhar-lhes mais que ontem. A forma como têm tratado o nome de Portugal ultrapassa em muito os limites da decência. E logo nós que somos amigos de toda a gente.
"Sale el sol, sale la luna; centro de Muñoz, gol de Labruna"
Este era o cântico dos adeptos do River Plate da década de 40, ao som do qual brilhava a equipa de então, conhecida como "La Maquina" . Para muitos, mesmo para os rivais, foi o melhor ataque de sempre do Futebol argentino. Quem viu diz que Muñoz, Moreno, Pedernera, Losteau e Labruna jogavam de olhos fechados. As estórias da equipa são contadas com golos, vitórias e Futebol romântico. A formação tinha como máxima atacar, priviligiava a posse de bola e raramente sofria golos. Do quinteto milionário destacava-se Adolfo Pedernera, conhecido como El Maestro tal era a sua importância na equipa. Mestre da técnica e da finta foi um dos melhores jogadores de sempre. Dizem as crónicas da época que foi o primeiro polivalente que o Futebol conheceu e as memórias não hesitam em afirmar que jogaria bem nos dias hoje. Aos 16 anos estreou-se pelo River onde ajudou a Máquina a vencer 5 campeonatos e duas Copa América. A II Guerra Mundial talvez tenha sido a grande pedra no sapato destes jogadores argentinos que, obviamente, não puderam disputar qualquer Mundial e mostrar o seu Futebol.
Foi, sem margem para dúvidas, um dos melhores guarda-redes que vi actuar no futebol português e, porventura, o segundo melhor que vi jogar no Benfica, logo depois do fantástico Preud´Homme.
Enke foi pouco a pouco ganhado espaço na baliza dos encarnados, consequência natural do seu desenvolvimento enquanto jogador. Era muito bom entre os postes, talvez fruto dos seus reflexos apurados e tinha especial aptidão para parar grandes penalidades. A sua grande lacuna era no capítulo da saída dos postes. Ainda assim, desde que chegou ao Benfica, até ao dia em que rumou a Barcelona, demonstrou uma grande evolução nas suas capacidades, que fizeram com que fosse uma das esperanças para a baliza da selecção germânica. Prometeu muito, mas não cumpriu. Enke, apesar de ter sido um óptimo guarda-redes, nunca atingiu patamares de excelência, o que não significa que não tenha tido uma boa carreira, o que, alias, teve.
Por ocasião do Europeu na Alemanha, Enke foi entrevistado por um jornal português, ao qual afirmou o desejo de regressar a Portugal, para voltar a vestir a camisola encarnada do Benfica. Já não chegou a cumprir esse desejo.
As nossas condolências à família e um forte abraço a todos aqueles que gostavam de ROBERT ENKE enquanto jogador ou, pelo menos, enquanto ser humano.
Durante os próximos tempos vou publicar uns posts sobre algumas das melhores equipas de todos os tempos. Naturalmente incluirei as melhores equipas do nosso pequeno país que fizeram furor na Europa como o Sporting dos 5 violinos, o Benfica de Eusébio e o FC Porto dos últimos 30 anos. River Plate, Santos, Boca Juniors, Real Madrid, Ajax, Manchester United, Liverpool, Milan e o mágico Barcelona de hoje serão também lembrados.
Aqueles que como eu querem saber sempre mais sobre Futebol estejam atentos às viagens e dêem sugestões.
Os últimos anos do Futebol português têm sido marcados pela moda do Porto. Muitas vezes ouvimos a expressão "à Porto". Acontece quando um jogador é raçudo e joga bem, quando é agressivo, quando a equipa é insaciável, quando tem espírito de equipa. Ora no FC Porto desta época o que tem faltado é jogar à Porto, portar-se como tal. A equipa parece cada vez mais desencontrada com a sua imagem e filosofia. Tem apresentado um Futebol muito preso e cansado, sem ideias.